Bagageiro traseiro

Bagageiro é, sem dúvidas, um dos itens mais importantes do cicloturismo. Mesmo em viagens curtas, de apenas 100km, que podemos fazer em um único dia, levar uma mochila amarrada no bagageiro e deixar as costas livres não tem preço. Sua resistência e energia duram muito mais tempo. Para escolher o seu bagageiro, primeiramente, não se deixe enganar pelo alumínio só por ser mais leve que o aço. Eu fiz isso e me dei mal, mesmo sendo alertado antes. A diferença de peso entre um bagageiro de alumínio e um de aço não é tão grande, mas a resistência à trepidações e peso é muito maior no aço. Aqueles bagageiros de tubos mais grossos, então, usados por “bikeboys” que entregam coisas, aguentam muita pancada, e é disso que um cicloturista precisa: resistência e durabilidade nos bagageiros.

Falando em durabilidade, é claro que não podemos deixar de citar a importância de o material ser resistente a ferrugem. Seria muito desagradável estar com a bike heavy loaded e ver seu bagageiro despedaçando devido à ferrugem nas juntas. Quando comprei meu primeiro bagageiro, eu acabei optando por um Trans-X. Ele é bonito, leve, e vinha com uma tira elástica super estilosa com três elásticos para prender nos ganchos. Além disso, possui regulagem de altura para pneus de até aro 29 (700) e pontos de fixação ideais para o quadro ou canote e para o eixo traseiro. E me dei mal. Isso porque o bagageiro é de alumínio. Esses bagageiros de alumínio só servirão para quem só usa a bike para ir ao trabalho e levar a pasta ou para quem vai passear no parque.

Descendo a Estrada das Roseiras no início do ano, eu estava pedalando relativamente rápido quando ouvi um estalo e uma peça metálica tilintando no chão: era uma das barrinhas de sustentação do bagageiro, que me acompanhou por uns 10 metros e cuja solda acabou cedendo por muito uso. Agora aprendi a lição e comprei um bagageiro de aço e cromo molibdênio, como meu quadro, e já uso ele há mais de ano, sem nunca ter passado por nenhuma situação duvidosa.

E para quem gosta muito de bagageiros, como eu, o bagageiro frontal da Surly de cromo molibdênio também é bem legal, pois tem uma grade em cima que aumenta a capacidade ainda mais, já que a maioria dos bagageiros dianteiros só permitem o encaixe dos dois alforjes nas laterais e você perde o espaço acima da roda.

Uma característica importante em um bagageiro de cicloturismo são os pontos de fixação. Como em uma viagem de bike você leva certa quantidade de bagagem, aquelesbagageiros que prende, só no canote não são muito seguros. Prefira os que tem ao menos dois pontos de fixação, sendo um próximo ao eixo da roda e o outro próximo ao canote. Verifique se o seu quadro tem furação para bagageiro, pois assim a tensão não cairá sobre o canote, mas sobre furos feitos para isso, nas laterais do quadro.

Por fim, outra característica diferencial são as abas de ferro que alguns bagageiros apresentam para trás, como o modelo acima. Essas alças, além de permitirem mais locais para fixar a bagagem com os tensores elásticos, também impedem que a bagagem bata na roda traseira com as vibrações. Assim, sua mochila ou alforje não ganhará um furo feito pelo pneu raspando no tecido.

OBS: nunca se esqueça de dividir muito bem o peso de sua bagagem! tente colocar muito mais coisas atrás que na frente para facilitar o handling (manejo) do guidão. No alforje de guidão, só coloque itens como óculos, máquina fotográfica, barrinhas, pertences e mapa. O resto divida entre os alforjes dianteiro e traseiro, sempre balanceando o peso dos lados esquerdo e direito! E quanto mais para baixo você conseguir colocar o peso, melhor.

Se você usa freios a disco, fique atento ao comprar seu bagageiro, pois ou ele tem que ser especial para freio a disco e é difícil de achar, ou o seu quadro deve possuir furação para bagageiro além da furação para freio a disco, para que você tenha onde prendê-lo. E não se deixe enganar por produtos bonitos de material duvidoso!

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Gustavo Angimahtz é cicloturista, jornalista e acredita que a viagem de bicicleta traz ao indivíduo a oportunidade de conhecer detalhes no território antes imperceptíveis com outro veículo, além dos benefícios à saúde, à mente, à cidadania e à sociedade.
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